Vereador se irrita com publicação que criticou os parlamentares pela rejeição da taxa do lixo e questiona a postura do jornal; no plenário, sobra indignação, ironia e uma pergunta: a quem interessa essa cobrança? A sessão da Câmara Municipal de Santa Isabel, na terça-feira, 8 de setembro, terminou com a temperatura bem mais alta do que aquela registrada fora do plenário. Perto do encerramento dos trabalhos, o vereador Edson Oh glória pediu a palavra para manifestar publicamente sua irritação e seu repúdio à postura do Jornal Ouvidor após a votação da chamada taxa do lixo. O motivo? Uma publicação do jornal que, segundo Oglória, classificou como “medíocres” os vereadores que votaram contra a cobrança, justamente por terem rejeitado a criação de uma nova despesa para o cidadão. E aqui começa a parte curiosa. No dia 1 de setembro, 14 vereadores presentes votaram contra a taxa do lixo. Ou seja: 14 a zero. Não houve meio-termo, empate ou votação apertada. A proposta foi rejeitada por unanimidade. Para Oh glória, portanto, fica uma pergunta bastante incômoda: se votar contra uma cobrança que pesa no bolso do cidadão é ser “medíocre”, então defender o contribuinte virou defeito? O vereador deixou claro que não aceita esse tipo de interpretação. Disse que foi eleito para representar a população e que não pretende votar favoravelmente a uma cobrança que, em sua avaliação, prejudique os moradores de Santa Isabel. “Jornalequinho” Na sequência, Oh glória elevou o tom e classificou o veículo, em sua fala, como “jornalequinho”, deixando evidente o grau de irritação com a publicação. Mas a discussão foi além da troca de adjetivos. O vereador questionou a razão de um jornal, com longa presença na cidade, adotar uma postura tão favorável à criação de uma nova receita para os cofres municipais.
E levantou, inclusive, uma pergunta sobre eventual relação entre veículos de comunicação e recursos provenientes do Poder Executivo. É importante deixar claro: trata-se de um questionamento feito pelo vereador, e não de uma afirmação de que o jornal receba recursos públicos por defender determinada posição. Se existe publicidade oficial, contratos ou qualquer outro vínculo financeiro, cabe transparência: quanto, por quê, mediante qual contrato e dentro de quais critérios? Afinal, jornalismo independente não deveria depender da conveniência de quem está no poder. R$ 5,5 milhões: dinheiro perdido ou dinheiro que não entrou? Outro ponto que merece atenção é a informação divulgada sobre os aproximadamente R$ 5,5 milhões que seriam arrecadados com a taxa. O valor não era dinheiro que já estivesse nos cofres públicos e que teria sido “retirado” pela Câmara. Tratava-se de uma receita que poderia ser criada caso a cobrança fosse aprovada. A diferença parece pequena apenas para quem não paga imposto. Para o contribuinte, é enorme. E justamente por isso a pergunta permanece: um veículo de comunicação deve pressionar pela criação de uma nova cobrança ou fiscalizar, explicar e permitir que o cidadão forme sua própria opinião? E o contribuinte, fica onde? O discurso de que a Prefeitura precisa aumentar a arrecadação porque faltam recursos para obras, saúde, educação e infraestrutura pode até justificar uma discussão sobre as contas municipais. Mas existe uma outra pergunta, talvez ainda mais importante: antes de colocar a mão no bolso do cidadão, não seria necessário explicar para onde está indo o dinheiro que já entra? Enquanto moradores reclamam de problemas em ruas, saúde, manutenção urbana e outros serviços públicos, a criação de mais uma cobrança naturalmente provoca resistência. E quando um jornal critica justamente aqueles que votaram contra essa cobrança, a sociedade tem todo o direito de perguntar: qual é a posição editorial? Defender o cidadão não significa ser contra a Prefeitura. Fiscalizar o Executivo não significa fazer oposição. E cobrar transparência não é atacar ninguém. É jornalismo. A pergunta fica no ar No final da sessão, o presidente da Câmara, Anderson Rabelo, também fez referência ao episódio e, segundo o que foi dito no plenário, afirmou: “Vamos mudar esse jornal, vamos mudar para jornal de outros municípios, de Santa Isabel.com.br.” Ironias à parte, talvez seja justamente esse o ponto. Santa Isabel não precisa de jornais que sejam “amigos” ou “inimigos” de governo, vereadores ou empresários. Precisa de imprensa que pergunte. Que investigue. Que cobre. Que publique quando estiver errado seja quem for o errado. Porque, quando a conta chega ao bolso do cidadão, ele não quer saber qual jornal gosta ou não gosta do prefeito. Quer saber quem está falando a verdade. E se votar contra uma taxa que atingiria milhares de famílias transformou 14 vereadores em “medíocres”, como afirmou Oh glória sobre a publicação do O Ouvidor, talvez esteja na hora de inverter a pergunta: medíocre é quem vota contra o povo ou quem esquece que jornalismo existe justamente para fiscalizar quem manda e defender o direito de quem paga a conta? A Folha de Santa Isabel não tem procuração para responder pelo jornal Ouvidor. Mas tem compromisso com seus leitores. E continuará fazendo aquilo que considera sua obrigação: perguntar, fiscalizar e dar voz ao cidadão. Porque este é e continuará sendo o jornal que faz a diferença.
OH GLÓRIA PERDE A PACIÊNCIA: “BAGRE ENSABOADO”, TESTA DE FERRO E UM GOVERNO SEM RUMO
Desabafo na tribuna expõe o desgaste entre Executivo e Legislativo, enquanto obras paradas e ruas deterioradas aumentam a cobrança da população.



